sexta-feira, 13 de maio de 2011

13 de maio - Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo

O dia 13 de maio era o dia oficial de homenagear os nossos heróis brancos abolicionistas e patriotas que "salvaram" os africanos da escravidão.
O Movimento Negro reivindicou outra data para que se tornasse referência à população negra, o dia 20 de novembro, data do assassinato de Zumbi dos Palmares, um líder africano que conduziu a maior organização política que o Brasil já teve, o Quilombo dos Palmares.
E o da 13 de maio, ficou sendo um dia de Denuncia, de Protesto contra o Racismo.
Ontem ouvi numa palestra o que já venho escrevendo nos meus artigos: a abolição brasileira não foi motivada por questões humanísticas. Nenhum patriota branco se conscientizou sobre o tratamento desumano que os africanos escravizados sofriam no Brasil. A abolição foi uma atitude conservadora. Tanto que as indenizações foram para os fazendeiros donos de escravos e não aos ex-escravizados. Ontem, na mesma palestra, refletimos: por que ninguém reclama dessa indenização, que foi feita pelo Estado, e hoje, quando reivindicamos do Estado reparações, uma delas as Cotas Raciais nas Universidades Públicas, então há reclamações ?
Os africanos que chegavam ao Brasil como escravos trabalhavam nas lavouras e também nas Casas Grandes como empregados domésticos, motoristas, amas de leite... Passaram-se mais de dois séculos e na nossa sociedade moderna, que se julga não precisar de cotas porque temos uma Constiuição de Primeiro Mundo que garante que todos devem ser tratados iguais, vemos um cenário muito parecido ao período pré-abolição: quem é maioria nos subempregos no Brasil? As novelas nos dão um reflexo muito próximo da realidade: as negras são babás, empregadas domésticas, os negros os motoristas, os porteiros... Agora, a pergunta que o Movimento Negro se fez: será que os negros não estão nas Universidades porque são incapazaes ou por que se esforçam menos que os brancos pobres?
Bem, as pesquisas sobre o desempenho dos cotistas estão aí para não só calarem a boca dos que declaram que não andariam em avião pilotado por um cotista, mas também para provar que não é apenas uma questão econômica nem de educação básica que impossibilita a população negra de alcançar as oportunidades iguais que tanto se fala ao criticar as Cotas.
Se o tráfico de escravos e o comércio de escravos teve o aval do Estado, se a indenização dos ex-proprietários de escravos teve o aval do Estado, por que as pessoas não querem que o Estado se responsabilize pela reparação material e compensação histórica da população negra?
Cotas é apenas uma das políticas de reparação. É  uma questão de justiça social. Mesmo sabendo que a pobreza no Brasil tem cor, as Ações afirmativas não quer saber se com cotas o negro rico irá entrar na Universidade enquanto o branco pobre vai continuar de fora. Aliás, se existe hoje uma cota social nas universidades é graças ao Moviemnto Negro, porque antes de se discutir cotas para negros, ninguém nem cogitava uma política de inclusão para pobres nas universidades.
Quando eu comecei discutindo essa questão nos Foruns desses sites de relacionamento, o que percebi é que os maiores contrários às Cotas são motivados pelo "farinha pouca, meu pirão primeiro".

Brasil, um país racista: enquanto não admitirmos e assumirmos nosso porblema, nao poderemos lutar contra ele !

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dia das Mães - Liquidação de jogo de panelas

Depois de mais de 2 anos sem ter uma dor de cabeça, eis que uma gripe atravessa meu caminho. E, justamente numa data reflexiva da minha identidade materna. Hoje eu disse que o ofício de mãe era muito difícil e fui logo censurada "dizer isso é até pecado".
Almocei correndo e fui mais cedo levar minha pequena ao colégio, porque hoje tinha festa de aniversário e eu tinha que comprar o presente. Fui ao supermercado mais próximo, ao entrar, por um minuto eu ainda estava no meu mundinho e estranhei aquele monte de liquidação de microondas, jogo de talheres, jogo de panelas, fogão, liquidificador... Aí ainda tentei ser otimista: ah... o mercado não tem esse tipo de responsabilidade social e o que importa é vender.... e as mulheres e homens podem comprar as panelas nessa data para aproveitar a promoção, mas é claro que não vão dar panela para nenhuma mãe, impossível, essa era já passou...
Esse fato já influenciou na escolha do presente. Escolhi um presente unisex e quando estava na fila para pacote de presente, não aguentei ficar esperando as várias mulheres na minha frente com várias caixas de panela, jogo de porcelana, lixeira para cozinha... Pedi para a funcionaria um pedaço de papel de presente e eu mesma fiz o pacote de presente em 2 minutos e fui embora, fazer meu chazinho de hortelã, tomar um banho e tomar um antigripal, pois amanhã tenho aula (estágio docência), e preciso estar firme e forte.... Ai que saudade da ter mãe por perto !!!!
Quuem foi o imbecil que disse que mulher é sexo frágil ? Um dia eu consigo desconstruir essa grande mentira dentro de mim !

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Democracia Racial ?

O vídeo dispensa comentários. Dispensa os meus !!!! Espero que ninguém fique em silêncio !



segunda-feira, 2 de maio de 2011

Você faria um aborto?

A resposta está sempre na ponta da agulha para a maioria das pessoas: não ! O argumento é sempre vinculado à proteção à vida, direitos humanos, o valor da vida humana, etc.
O aborto foi tema debatido nas últimas eleições presidenciáveis. E, a oposição de Dilma, fazia aquele discurso bem previsível e que não engana mais ninguém: somos contra o aborto, pois somos a favor da vida. (hipocrisia sem tamanho se a gente calcular quantas vidas são interrompidas fruto de má administração e hostilidade do governo em muitas causas em que os movimentos sociais vem reivindicando, a exemplo os Sem Terra, Sem Teto, Movimento Negro, LGBT, etc).
Sou a favor da vida, mas enquanto o mundo me tratar diferente por ser mulher, enquanto a gravidez indesejada e não planejada causar ônus apenas para a mulher, serei a favor do aborto. É o nosso caso no momento. Homens praticam "abortos" (simbólicos) diariamente, quando somem e não assumem a paternidade. Eles reconstroem suas vidas normalmente. Mas a culpa, esta sim, é sempre colocada em cima da mulher. O aborto deixaria homens e mulheres em pé de igualdade.
Mas, a vontade de criar esse post se deu por uma breve discussão que se iniciou hoje na reunião do grupo o qual participo na Universidade, e teve de ser interrompido devido às demandas do evento do nosso grupo (II e-geincos). O debate era mais ou menos assim: mesmo que o aborto fosse legalizado, eu, se fosse médica, não faria/ mas se você é uma médica de hospital público e a lei dá o direito para a mulher fazer o aborto, então você deve fazer/ mas eu não faria porque é uma questão de consciência, eu não conseguiria/ mas se o Estado se diz Laico e você trabalha para ele, você deve separar o privado do público, mesmo você não concordando, deve fazer...

Convido vocês para continuar esse debate aqui...
É possível separar o público do privado (ou seja, a sua opinião/ seus valores, do aspecto legal estatal)?

Comentem, participem...

Há braços