sexta-feira, 29 de abril de 2011

Filme que inspira: Mandela Luta pela Liberdade




Acho que esse Blog vai acabar sendo sobre filmes, e eu nem sou uma amante de cinemas e filmes assim...
Esse filme eu já assisti várias e várias vezes. Toda vez que passa na TV eu assisto e não me canso. Gosto de pessoas de fibra, de coragem e ao mesmo tempo de paz, sábias, como Mandela, personalidade retratada nesse filme. Difícil encontrar pessoas assim: dispostas a matar ou morrer por uma causa humana. Difícil não se deixar corromper pelo sistema...
O filme é ótimo, sem contar que o ator que faz Nelson Mandela é um charme...
Vale a pena assistir, vale a pena refletir !

Obs.: Na primeira postagem foi incluso o trailer do filme "O Último Rei da Escócia"

Bjs

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A vida como ela é em Bob Esponja



Acredito que muitas mulheres devem se identificar com esse episódio do Bob Esponja...
É incrível como uma ideologia opera na nossa mente, na nossa vida e etc. A gente introjeta tanto a ideologia machista que, quando temos um dia difícil, nos sentimos culpadas de reclamar o trabalho que uma filha ou um filho dá para nós, mães.
As pessoas se chocam quando alguma mulher diz que não quer ser mãe. Lá vem o velho sermão: "Nossa, cadê seu instinto materno?" Quando a mulher também deixa um(a) filho(a) para investir na carreira profissional ou acadêmica, o sermão se repete:     "Nossa, uma mãe abandonando sua(seu) filha(o)!!"
Hoje eu tava pensando cá com meus botões: identifico dois tipos de machista
1 - O tradicional: aquele que acha que a mulher não pode fazer tudo que um homem faz, com a mesma qualidade;
2 - O disfarçado: aquele que diz que a mulher pode e deve fazer tudo o que um homem faz como trabalhar, pagar as contas, resolver problemas, assumir as responsabilidades de um lar... porém, ele acha que ELE não pode fazer o que uma mulher faz, não porque acha que não tem capacidade, mas simplesmente por achar que não deva fazer porque isso é "trabalho de mulher".
Não é a toa que quando eu era criança eu queria ser homem, e um dia desses minha pequena chorou pelo mesmo desejo. Sabemos muito pouco sobre infância... acreditamos que crianças sejam indefesas e ingênuas... Sábias, muito sábias.
Eis o comentário de uma nova sábia, após ver o desenho na TV: "É muito ruim ser a mãe, né?" Será que essa pessoinha tbm vai ser julgada: "Onde está seu instinto materno ????"

terça-feira, 26 de abril de 2011

Quando as Princesas vão à luta...

No meu tempo, as princesas eram magras, tinham nariz afilado, com cabelos lisinhos e geralmente eram loiras (não, não é por isso que eu to vivendo uma fase loura... aliás, talvez sim, pq não? olha a denegação aí kkkk). Eu acho que essas histórias são tão difundidas que fazem parte do que chamamos de "imaginário coletivo". Significa dizer que a gente, inconscientemente, vai aprendendo a ser mulher a partir desses "arquétipos". A mulher é que pensa em casar, o homem se interessa por aventura, a mulher espera pelo príncipe, o homem é que deve tomar a iniciativa sempre, a mulher é a que cuida de afazeres domésticos, o homem é que provê o sustento da casa... Quando nos tornamos mães e pais, ensinamos esse "ser mulher" ou "ser homem" desde que a criança nasce: se for menina, ganha bonecas, fogãozinho, panelinhas; se for menino, bola, carrinho, ferramentas... se for menina: cruza essas pernas filha, seja doce, meiga, quieta, delicada.... se for menino: "nossa, olha como meu filho é ativo, esse vai ser um garanhão..."
Eis que alguns filmes recentes têm tentado quebrar essa lógica: A Princesa e o Sapo (a primeira princesa negra da Disney) e o último filme de Sherk.
Aliás, o Sherk já pode ser considerado uma transgressão de padrões, né?
Mas, voltando pro nosso foco, as princesas, no filme A Princesa e o Sapo, Tiana é uma moça negra que não sonha em se casar e ser feliz para sempre. Ela não tem um sonho, ela tem um plano (e trabalha duro por ele): abrir um restaurante para que pessoas de diferentes "lugares" pudessem ir (acho que esses lugares se refere aos lugares sociais). O príncipe, que iria se casar com a amiga de Tiana que desde pequena sonha com o dia em que encontrasse um príncipe para casar, se apaixona pela moça negra e decide abrir mão de seu plano de casar com a menina rica e "consertar" a falência de sua família (que só permanecera com o nome/status de realeza) e juntar-se aos planos e trabalho de Tiana.
Fiquei emocionada quando assisti ao filme, porque Tiana é uma evolução de Princesa para servir de referência às meninas.
Quanto ao Sherk... o último filme foi espetacular, foi a vingança das mulheres (kkk). O filme mostra que se Fiona não tivesse sido salva pelo tão esperado Príncipe, ou o Sherk (como aconteceu), ela não teria morrido naquela torre sozinha a chorando... Fiona se salvou sozinha do Dragão, saiu da Torre e "ganhou o mundo". Ela se tornou sem o seu "salvador", nada menos que, a mulher que liderava uma espécie de "quilombo" de ogros... Sem contar que o tipo guerreira de Fiona está muito mais sexy e legal do que a típica princesa que estamos acostumad@s.
Na verdade, a história dessas princesas não são tão fantasiosas assim. Sabemos que, na Diáspora, as mulheres negras foram extremamente relevantes no movimento de resistência à escravização. Foram mulheres que lutaram, lideraram muitas vezes essa luta... Mas infelizmente essas histórias foram silenciadas na nossa sociedade, por um motivo que eu já disse aqui: História é poder.

"Se você quiser destituir um povo, o jeito mais fácil é contar sua história, e, preferencialmente começando com 'em segundo lugar"

Sinto que essa nova geração de mulheres terá referenciais mais evoluídos para se influenciarem.

Há braços

domingo, 24 de abril de 2011

Pensando alto...

Outro dia, assistindo a uma palestra sobre "Currículo e diversidade", o professor convidado da UFBA comentou que certa vez iria receber em sua cidade um professor de fora, muito reconhecido pela sua produção, por ocasião de um evento. O professor confessou, então, que "apesar" de estar envolvido com a temática da diversidade, ficara chocado ao saber  que o tal professor de fora era homossexual assumido e iria vir com seu companheiro e mencionou que gostaria de conhecer os bares LGBT da cidade. O professor da UFBA explicou então que percebia que aquela reação dele era resultado de sua formação que não havia lhe ensinado a lidar com a diversidade sexual. Nesse momento, a professora da casa (UFPB) interrompeu o  convidado para dizer que ela não se espantaria com essa situação (a homossexualidade do professor). Isso é perfeitamente possível, mas o que me incomodou foi a justificativa da professora. Ela disse que o educador(a) não deve se chocar com a diversidade e sim aceitá-la. (Sábio ditado popular: falar é tão fácil).
A pergunta que não quer calar: qual a receita desse sucesso, professora?
Se uma pessoa afirma que, apesar de a educação posta transmitir uma ideologia hegemônica eurocêntrica, machista e homofóbica, que justifica a subalternidade de "minorias", ela não está sob influência dessa ideologia, ela não só é imune a esse poder como aconselha que todos devam ser, porque isso é o ideal: ou essa pessoa é excepcional ou está subestimando o poder da ideologia dominante.
Se a segunda opção for a resposta, é necessário continuar questionando/ se preocupando com o currículo, uma vez que é possível facilmente e por questão de escolha aceitá-lo ou rejeitá-lo?
Se a segunda resposta for a escolhida, não estaremos reproduzindo a ideologia hegemônica que diz: "os oprimidos são fracos e aceitam a condição de subalternos. Quem quiser, pode escolher não ser oprimido"?
Essa conversa me fez refletir outra questão: o contar histórias. Como é interessante o processo de seleção. Como ouvi numa banca um dia desses, "toda história é esquecimento". E é incrível como nós selecionamos apenas o melhor de nós, mesmo que seja um melhor inventado. A gente passa um tempão fazendo um trabalho em defesa de uma educação anti-racista, para que o currículo inclua temas diversos, para que os livros infantis representem as minorias de forma respeitosa e não esteriotipada... Mas aí quando te colocam na parede: mas porque vc não usa seu cabelo "natural"(uso aspas depois que assisti a uma palestra sobre o Corpo na perspectiva dos Estudos Culturais)? A gente tem mil e uma justificativas para não admitir o que seria absolutamente compreensível: você é vulnerável como todos os mortais ! E aí continuam te encurralando: mas você não defende a afirmação e valorização de sua etnia?  E aí, de repente a gente começa a desconstruir toda a justificativa da pesquisa que a gente está desenvolvendo. Mas, devo compreender que essa vergonha de ter preconceito também é fruto da nossa formação. O nosso famoso preconceito de ter preconceito.
obs. : Ano passado, num Mini-curso com Edson Cardoso (UNB), ele explicou o conceito "denegação" em psicanálise, que é quando a gente nega muito algo porque admitir seria muito doloroso.
Mas, finalizando, a seleção na construção da história é válida (a denegação acho que não). Pena que nem todos tem o poder de contar suas próprias histórias e, assim, selecionarem apenas aqueles trechos bonitos e honrosos. História, como bem disse Chimamanda Adichie, é poder.

A gente escreve politicamente correto. A gente fala politicamente correto. A gente age politicamente correto. E tudo isso é válido e necessário. Mas a gente sente.

Há braços,
Poli

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Como começar?

Hoje é um dia raro na minha vida: perdi o sono. Foi depois de um filme (O ultimo rei da Escócia). Fiquei pensativa e prefiri me distrair até chegar o sono para não correr o risco de me aprofundar nos pensamentos motivados pelo filme. Fico descrente quando vejo tanta crueldade e tantas incompreensões no mundo. Mas então, pulando esse assunto, resolvi criar esse blog. Também quero registrar que fiquei motivada para o blog ao visitar o blog de um amigo, e também por estar sempre refletindo e debatendo alguns temas por email com meus/minhas colegas de estudo.
Quero que esse espaço seja de troca de ideias, partilha de experiências, busca de aperfeiçoamento a partir de outros olhares diferentes do meu.
Como a gente sempre fala a partir do nosso lugar social, é pertinente dizer que sou da área da educação, especificamente da linha de Estudos Culturais.
Como no início do meu post eu mencionei o tal filme, não posso deixar essa curiosidade sobre o que me fez perder o sono. Na sinopse dizia apenas se tratar de um filme que envolvia um "terrível ditador" da história de Uganda: Idi Amin (bota terrível nisso). Mas foi interessante assistir o filme. Muita informação nova pra mim. Muito insight bacana que o filme oportuniza. E, tirando o lado terrível do tal ditador, até que ele era um cara engraçado (no começo do filme eu até ri).



Mas não é com Idi Amin que me choquei, mas com as histórias de crueldade do ser humano. Às vezes eu acho que é melhor nem conhecê-las.
Vou tentar dormir...
Até outro dia (espero que seja em breve)

Há braços