O dia 13 de maio era o dia oficial de homenagear os nossos heróis brancos abolicionistas e patriotas que "salvaram" os africanos da escravidão.
O Movimento Negro reivindicou outra data para que se tornasse referência à população negra, o dia 20 de novembro, data do assassinato de Zumbi dos Palmares, um líder africano que conduziu a maior organização política que o Brasil já teve, o Quilombo dos Palmares.
E o da 13 de maio, ficou sendo um dia de Denuncia, de Protesto contra o Racismo.
Ontem ouvi numa palestra o que já venho escrevendo nos meus artigos: a abolição brasileira não foi motivada por questões humanísticas. Nenhum patriota branco se conscientizou sobre o tratamento desumano que os africanos escravizados sofriam no Brasil. A abolição foi uma atitude conservadora. Tanto que as indenizações foram para os fazendeiros donos de escravos e não aos ex-escravizados. Ontem, na mesma palestra, refletimos: por que ninguém reclama dessa indenização, que foi feita pelo Estado, e hoje, quando reivindicamos do Estado reparações, uma delas as Cotas Raciais nas Universidades Públicas, então há reclamações ?
Os africanos que chegavam ao Brasil como escravos trabalhavam nas lavouras e também nas Casas Grandes como empregados domésticos, motoristas, amas de leite... Passaram-se mais de dois séculos e na nossa sociedade moderna, que se julga não precisar de cotas porque temos uma Constiuição de Primeiro Mundo que garante que todos devem ser tratados iguais, vemos um cenário muito parecido ao período pré-abolição: quem é maioria nos subempregos no Brasil? As novelas nos dão um reflexo muito próximo da realidade: as negras são babás, empregadas domésticas, os negros os motoristas, os porteiros... Agora, a pergunta que o Movimento Negro se fez: será que os negros não estão nas Universidades porque são incapazaes ou por que se esforçam menos que os brancos pobres?
Bem, as pesquisas sobre o desempenho dos cotistas estão aí para não só calarem a boca dos que declaram que não andariam em avião pilotado por um cotista, mas também para provar que não é apenas uma questão econômica nem de educação básica que impossibilita a população negra de alcançar as oportunidades iguais que tanto se fala ao criticar as Cotas.
Se o tráfico de escravos e o comércio de escravos teve o aval do Estado, se a indenização dos ex-proprietários de escravos teve o aval do Estado, por que as pessoas não querem que o Estado se responsabilize pela reparação material e compensação histórica da população negra?
Cotas é apenas uma das políticas de reparação. É uma questão de justiça social. Mesmo sabendo que a pobreza no Brasil tem cor, as Ações afirmativas não quer saber se com cotas o negro rico irá entrar na Universidade enquanto o branco pobre vai continuar de fora. Aliás, se existe hoje uma cota social nas universidades é graças ao Moviemnto Negro, porque antes de se discutir cotas para negros, ninguém nem cogitava uma política de inclusão para pobres nas universidades.
Quando eu comecei discutindo essa questão nos Foruns desses sites de relacionamento, o que percebi é que os maiores contrários às Cotas são motivados pelo "farinha pouca, meu pirão primeiro".
Brasil, um país racista: enquanto não admitirmos e assumirmos nosso porblema, nao poderemos lutar contra ele !
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