A resposta está sempre na ponta da agulha para a maioria das pessoas: não ! O argumento é sempre vinculado à proteção à vida, direitos humanos, o valor da vida humana, etc.
O aborto foi tema debatido nas últimas eleições presidenciáveis. E, a oposição de Dilma, fazia aquele discurso bem previsível e que não engana mais ninguém: somos contra o aborto, pois somos a favor da vida. (hipocrisia sem tamanho se a gente calcular quantas vidas são interrompidas fruto de má administração e hostilidade do governo em muitas causas em que os movimentos sociais vem reivindicando, a exemplo os Sem Terra, Sem Teto, Movimento Negro, LGBT, etc).
Sou a favor da vida, mas enquanto o mundo me tratar diferente por ser mulher, enquanto a gravidez indesejada e não planejada causar ônus apenas para a mulher, serei a favor do aborto. É o nosso caso no momento. Homens praticam "abortos" (simbólicos) diariamente, quando somem e não assumem a paternidade. Eles reconstroem suas vidas normalmente. Mas a culpa, esta sim, é sempre colocada em cima da mulher. O aborto deixaria homens e mulheres em pé de igualdade.
Mas, a vontade de criar esse post se deu por uma breve discussão que se iniciou hoje na reunião do grupo o qual participo na Universidade, e teve de ser interrompido devido às demandas do evento do nosso grupo (II e-geincos). O debate era mais ou menos assim: mesmo que o aborto fosse legalizado, eu, se fosse médica, não faria/ mas se você é uma médica de hospital público e a lei dá o direito para a mulher fazer o aborto, então você deve fazer/ mas eu não faria porque é uma questão de consciência, eu não conseguiria/ mas se o Estado se diz Laico e você trabalha para ele, você deve separar o privado do público, mesmo você não concordando, deve fazer...
Convido vocês para continuar esse debate aqui...
É possível separar o público do privado (ou seja, a sua opinião/ seus valores, do aspecto legal estatal)?
Comentem, participem...
Há braços
Oi Poli,
ResponderExcluirO tema é polêmico. Muitas vezes fugimos da discussão não por falta de tempo e das demandas, mas por falta de argumentos, ou porque não conseguimos enxergar para além dos óculos com que enxergamos o mundo.
Você trouxe elementos interessantes para o debate. Eu gosto do discenso, da polêmica, da discordância, do debate, do conflito, pois eles me pertimem ampliar os horizontes e olhar o mundo, para além dos meus valores e minhas crenças.
Discuto o aborto do ponto de vista dos direitos das mulheres, dos direitos humanos, do direito ao nosso corpo e também do direito a vida.
Convido a quem estiver interessado, a se aprofundar sobre o tema, fazer uma visita no site de Católicas pelo Direito de Decidir http://catolicasonline.org.br/
Lá irão encontrar informações da legislação brasileira e das situações em que o aborto é permitido no Brasil, além de outros temas relacionados e co-relacionados aos direitos das mulheres.
Nunca passei por uma situação limite q me levasse a fazer tal escolha, nem sei se teria coragem, mas não julgo, nem condeno. Acolho e respeito, e do ponto de vista das políticas públicas sou a favor do atendimento pelo Estado brasileiro, aliás precisamos ampliar o debate e qualificar as políticas.
Abraços
Lígia
Lígia, eu também adoro criar polêmica (rsrsrs), pois é justamente o que você ressalta que eu gosto: o debate nos coloca sempre um desafio para que nos posicionemos, exercitamos nossa argumentação ou, porque não, mudemos de opinião... Adorei suas contribuições, volte mais vezes !
ResponderExcluirBjss
Interessante essa observação: homens praticam "abortos" (simbólicos) diariamente, quando somem e não assumem a paternidade. Eles reconstroem suas vidas normalmente. Mas a culpa, esta sim, é sempre colocada em cima da mulher. Devo admitir, mesmo sendo favorável a mim, na posição de homem, ser contrario a essa afirmação, de que ela é uma realidade. Quanto ao posicionamento a cerca da difícil, indesejável e desagradabilíssima situação, não consigo me posicionar com certeza.
ResponderExcluirA que se relevar o quadro clínico da mãe, sua situação sócio-econômica, mas antes de tudo, dar ouvidos a própria consciência. Antes do desejo da mãe ou da imposição do estado, penso que não posso fazer (ou deixar de fazer) algo qual me cause inquietude. Todavia reconheço o direito de a mulher decidir, apesar de que o feto deveria ter esse mesmo direito. Para falar a verdade, além de ser um assunto bem polêmico, confesso, como já escrevi não ter firmeza em meu posicionamento.
Gostei do tema, sigamos com o debate, creio será esclarecedor.
Bjs.